quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Estratégia de diversificação

Compra quem tem uma estratégia clara, quem tem só planejamento está perdendo terreno.

A compra do Bretas trouxe novidades: mostrou que Cencosud tem fôlego para disputar território, que as redes hoje custam bem mais caro e que os gigantes, por hora, estão fora do páreo. Mas a temporada de aquisições continua aberta.

Em outubro, o autosserviço brasileiro reviveu os dias de agitação de 1999 a 2002, quando as notícias de aquisições feitas pelos gigantes pipocavam a todo instante. Desta vez, o alvo foi a rede Bretas, a maior do Estado de Minas Gerais, com faturamento de R$ 2,1 bilhões em 2009. A diferença em relação ao passado reside no fato de que nenhuma das três maiores companhias do ranking supermercadista era a compradora. Foi a chilena Cencosud, a maior varejista da América Latina e dona da nordestina GBarbosa, que arrematou a empresa mineira. O negócio mexeu com o mercado sob dois ângulos.

Jogou holofotes sobre a operação do Cencosud no Brasil e uma dúvida no setor: será que a compra do Bretas está abrindo uma nova onda de fusões e aquisições?

VEJA QUE TIPO DE EMPRESA ESTÁ NA MIRA DAS AQUISIÇÕES

PERFIL DE REDE MOTIVO EXEMPLOS

Líderes regionais

Têm grande participação no mercado, alto faturamento (em geral, acima de R$ 1 bilhão) e aceitação do consumidor local A própria rede Bretas, líder no mercado mineiro. E, no passado, Bompreço (Nordeste) e Sonae (Sul), adquiridos pelo Walmart.

Empresas que operam formatos em ascensão, em especial atacarejos e lojas de desconto Garantem entrar num mercado que atende sobretudo as classes C e D, que ganharam poder de compra e devem continuar respondendo por aumento nas vendas O atacarejo Assaí, comprado pelo grupo Pão de Açúcar, hoje a bandeira que mais cresce. E o Atacadão, adquirido pelo Carrefour.

Redes que atendem nichos de consumidores Permitem ampliar atuação da empresa e aumentar a rentabilidade Mais um exemplo que vem do Cencosud: a compra da rede Perini (BA), especializada em lojas gourmet para as classes A e B

Regiões, Estados ou cidades em crescimento A idéia é fortalecer a presença da empresa em área de expansão econômica Aquisição do Bompreço, no Nordeste, pelo Walmart

Líderes regionais

Têm grande participação no mercado, alto faturamento (em geral, acima de R$ 1 bilhão) e aceitação do consumidor local A própria rede Bretas, líder no mercado mineiro. E, no passado, Bompreço (Nordeste) e Sonae (Sul), adquiridos pelo Walmart.

Empresas que operam formatos em ascensão, em especial atacarejos e lojas de desconto, garantem entrar num mercado que atende sobretudo as classes C e D, que ganharam poder de compra e devem continuar respondendo por aumento nas vendas. O atacarejo Assaí, comprado pelo grupo Pão de Açúcar, hoje a bandeira que mais cresce. E o Atacadão, adquirido pelo Carrefour.

Redes que atendem nichos de consumidores permitem ampliar atuação da empresa e aumentar a rentabilidade. Mais um exemplo que vem do Cencosud: a compra da rede Perini (BA), especializada em lojas gourmet para as classes A e B

Regiões, Estados ou cidades em crescimento A idéia é fortalecer a presença da empresa em área de expansão econômica Aquisição do Bompreço, no Nordeste, pelo Walmart

Os especialistas são unânimes em afirmar que ainda há muitas empresas atraentes no setor para serem compradas. Difícil é precisar a velocidade em que as compras serão feitas e quem de fato deverá ser adquirida. Para alguns consultores, embora os três gigantes estejam sempre de olho em oportunidades, tudo indica que não partirão para novas compras tão cedo.

O grupo Pão de Açúcar realizou duas importantes aquisições no ano passado, a do Ponto Frio e da Casas Bahia. “A empresa resolveu avançar no varejo eletrônico, que ainda tem muito espaço para crescer, para diminuir a dependência do varejo alimentar. É uma estratégia que se assemelha à da rede europeia Metro”, diz Alejandro Padron, diretor de consultoria para varejo da IBM Brasil.

Markus Stricker, sócio da A.T. Kearney, lembra que o processo de integração das empresas adquiridas ainda deve exigir esforços do Pão de Açúcar e tomar parte do tempo de seus executivos.

GIGANTES NÃO RETORNAM TÃO CEDO

Pelo menos enquanto arumam a casa

Já o Carrefour e o Walmart estão passando pela troca de alguns dos seus principais executivos, inclusive de seus presidentes. Um dos motivos apontados para a alteração de comando é a pressão das matrizes por resultados. O Carrefour passa ainda por um processo de reorganização em função de falhas em lançamentos contábeis informados à matriz e publicados no balanço global da companhia, além da queda na rentabilidade do formato hipermercados e problemas operacionais graves, como o alto índice de ruptura. Se, por um lado, há urgências a ser resolvidas, por outro, há uma orientação das matrizes para elevar a participação no País e em outros mercados emergentes. É por isso que os projetos de aquisições podem estar momentaneamente encostados, mas não descartados. A compra de concorrentes ainda representa a maneira rápida de crescer. “Acredito que daqui a um ano teremos novidades”, afirma Oscar Malvessi, professor do Programa de Educação Continuada da FGV/São Paulo.

EMPRESAS MAIS COBIÇADAS

As líderes regionais fora de São Paulo e Rio de Janeiro

As empresas mais cobiçadas continuam sendo as líderes regionais, com crescimento acima da média do setor – especialmente as que ¨ cam fora dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Mas quem sair às compras agora vai desembolsar bem mais do que no passado. “Houve uma valorização das empresas nacionais”, a¨ rma Padron. Segundo ele, o aquecimento da economia e o aumento da renda do brasileiro aceleraram o consumo, razão pela qual as vendas nos supermercados não param de crescer. Isso eleva o preço das companhias. Para se ter uma ideia, o Cencosud pagou R$ 1,35 bilhão pela rede Bretas. O valor equivale a 65% do faturamento da empresa. Em 2004, quando comprou o Bompreço, o Walmart desembolsou o equivalente a 26% da receita da rede nordestina. Um ano depois, quando adquiriu o Sonae, com atuação no Sul, pagou o correspondente a 39% do faturamento da rede.

As redes regionais, além de alvo de aquisições, são também potenciais compradoras. Para sobreviver, elas precisam continuar elevando o faturamento acima do mercado. Isso deverá ser feito com investimentos em pessoas e sistemas de informação e também incorporando concorrentes menores.

REGIONAIS PODEM IR ÀS COMPRAS

Mas existe uma dificuldade: levantar capital

“As empresas costumam devem adquirir companhias que representem entre 5% e 30% de suas vendas”, diz Malvessi, da FGV. Como a maioria das regionais possui receita na casa de R$ 1 bi, terão como alvo supermercados que faturam até R$ 300 milhões ao ano. Alejandro Padron, contudo, acredita que as regionais deverão crescer mais por inaugurações do que por aquisições, já que é difícil levantar capital. “Por aqui, o custo do dinheiro é alto e isso dá uma vantagem aos gigantes, que podem captar recursos no exterior por meio de suas matrizes,” diz. Mas uma coisa é certa: o que não faltam são oportunidades.

Fonte: Jony Lan , Especialista em estratégia, marketing e novos negócios - www.mktmais.com



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