quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DINHEIRO EXTRA: 13º SALÁRIO, BÔNUS E OUTRAS GRATIFICAÇÕES

Com a chegada do final de ano, além das festas, dos presentes, das férias, também é tempo de dinheiro extra nas contas bancárias ou, literalmente, no bolso de mais de 70 milhões de brasileiros. Neste ano de 2010, só de 13º salário deverão ser mais de R$ 90 bilhões de reais a serem injetados na economia. Não existem estimativas do valor de outras verbas extras – participação nos lucros, superação de metas e outros bônus financeiros - , mas, certamente, também deverão somar alguns milhões de reais também.

Grandes redes de lojas, o comércio em geral e os bancos, principalmente, já iniciaram “a temporada de caça” a esse dinheiro extra. Cada segmento quer ficar com uma parte dessa dinheirama toda, não poupando em campanhas publicitárias milionárias, nem deixando de apelar para os tradicionais sorteios de prêmios como atrativo, desde simples eletrodomésticos até automóveis “zero”.

Repórteres saem às ruas para perguntar, aleatoriamente, o que, possivelmente, nem eles saibam responder: - o que fazer com o dinheiro extra? Matérias de jornais, de revistas e programas de televisão tratam do assunto, visando esclarecer os cidadãos de como planejar o uso desse dinheiro e evitar que o mesmo seja, simplesmente, “torrado”, sob o argumento de que “dinheiro foi feito para gastar”.

Um dos grandes vilões desse dinheiro extra são as “contas mentais”. As pessoas tendem a imaginar que a verba extra é suficiente para muito mais objetivos do que ela realmente comporta. Um dos erros é ignorar ou esquecer-se das deduções tributárias (INSS e IR, quando for o caso). Outro, assumir vários compromissos financeiros com a mesma verba.

Quem já recebeu sua gratificação ou já a comprometeu, não tem mais o que fazer, a não ser, eventualmente, revisar alguns procedimentos. Já quem pode contar com toda ou, pelo menos, parte dela, antes de partir, desenfreadamente, para as compras, deve parar e pensar como e em que utilizar o dinheiro. Para quem acredita que, independentemente da “pressão” do credor ou, até, de seu “esquecimento”, as dívidas devem ser pagas ou, pelo menos, renegociadas, este é o período do ano em que, tradicionalmente, cresce o número de pessoas que buscam sanar seus débitos, visando recuperar seu crédito. Além do reforço das verbas extras, os clientes podem contar, também, com as facilidades de negociação dos credores geral, reduzindo ou dispensando os juros ou, ainda, alongando os prazos de pagamento. Em Porto Alegre, existe, ainda, a opção da Central de Conciliação do Judiciário que oferece um serviço que busca o entendimento entre o endividado e seus credores, tentando a renegociação das dívidas. Em 40% dos casos, há acerto, sendo que, depois do primeiro pagamento, o nome do devedor é retirado de cadastros restritivos (SPC, Serasa). Apesar da intermediação da Justiça, não é um processo judicial, porque se baseia no entendimento entre os envolvidos. É gratuito, não necessita de advogado e o credor, embora convidado, não é obrigado a comparecer.

Em princípio, a prioridade das dívidas deve ser dada àquelas que cobram juros mais altos, como o cartão de crédito, o cheque especial e as financeiras. Com essas dívidas também deve ser buscada uma negociação, embora as operadoras de cartões de crédito, por exemplo, serem as mais difíceis de aceitarem propostas. Embora a dívida com o financiamento da casa própria ou do carro, por exemplo, carreguem um juro bem menor, sua inadimplência pode provocar a perda do bem.

Outra finalidade das verbas extras pode ser a realização de sonhos de consumo, como a compra de algum eletroeletrônico, a reforma ou ampliação da casa, o primeiro carro ou moto ou a troca deles, uma viagem especial. É claro que também tem as compras de Natal e os presentes. E uma finalidade, menos lembrada, é aproveitar o dinheiro extra para dar um presente ao futuro, fazendo um investimento. Muitas pessoas desistem de poupar por falta de paciência ou por acreditarem que o valor é pequeno para investimento, ignorando que o mais importante, principalmente no início, não é tanto o montante e, sim, a regularidade. E quem já pode ser qualificado como investidor, mesmo que pequeno, pode aproveitar a verba extra para “engordar” seus investimentos.

Nesta época do ano, então, de muitas festas e despesas com presentes, roupas, “caixinhas”, é fácil sair da linha, não só com aqueles indesejados quilinhos a mais, mas, também, com o orçamento. Empolgados com o dinheiro extra e na ânsia de comprar o presente perfeito para o amigo secreto ou para atender aos desejos de familiares, acaba-se esquecendo de fazer as contas do quanto custam esses agrados. Lembrar-se, pois, de fazer a lista de despesas. Assim, evita-se repetir o que aconteceu em anos anteriores: começar o ano novo com as finanças pessoais e familiares comprometidas ou, pior ainda, “no vermelho”. Não permitir que os tempos modernos, com todas as suas tentações, oportunidades facilidades, transformem os sonhos de Natal em dificuldades ou, até, pesadelos financeiros para os primeiros meses do novo ano.

Francisco Roque Teloeken, bacharel em Ciências Contábeis, especialista em finanças pessoais, articulista semanal sobre finanças pessoais, em vários jornais do interior do RS.

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