terça-feira, 7 de junho de 2011

Rádio, outra volta por cima

Ao longo da sua história, o rádio tem vencido inúmeras batalhas. Interessante notar que todas elas, apoiadas pela tecnologia. Sim, o próprio surgimento do rádio foi um avanço tecnológico.
O rádio reinou por um longo período a chegada da televisão, que levou os programas, os artistas, os anunciantes e a audiência do rádio. E, pela primeira vez, a morte do rádio foi anunciada aos quatro cantos. Como concorrer com a imagem?
Foi então, que mais uma vez um o desenvolvimento tecnológico salvou o rádio de desaparecer. A criação do transistor tirou o rádio da tomada da sala e possibilitou a sua mobilidade. A partir daí, o rádio passou a acompanhar o ouvinte onde quer que ele fosse, tornando-se um companheiro inseparável.
Passados alguns anos, outra novidade tecnológica voltou a ameaçar o rádio e novamente a sua morte foi anunciada. Dessa vez, a vilã foi a internet. Entretanto, o rádio rapidamente transformou a ameaça em oportunidade e, ao invés de encarar a internet como concorrente, lançou mão das novas ferramentas para ampliar o seu poder de alcance e aumentar a sua interatividade com o ouvinte.
Assim , mais uma vez a tecnologia favoreceu o rádio proporcionando a sua audição em qualquer lugar do mundo e por diversas plataformas de distribuição de conteúdo. Até mesmo a imagem, já faz parte do cotidiano do rádio que pouco a pouco vem se convertendo num meio também visual.
Muitas emissoras de rádio disponibilizam um conteúdo diversificado nos seus sites como vídeos de programas, clipes musicais e de ações promocionais, entrevistas com artistas, cobertura de fatos e jogos de futebol, além de espaço especial para interação direta com o ouvinte que pode enviar mensagens e pedidos musicais, participar de enquetes, fazer downloads ou sugerir pautas. Muitas possuem até mesmo, espaço publicitário. Sim, além de utilizar a web para propagar seu conteúdo e interagir com o ouvinte, o rádio também vem buscando ampliar o seu faturamento via web
A cada dia o rádio adquire mais características de um meio também visual. Uma contradição? Não. Uma estratégia de sobrevivência que pode conduzir à revitalização do rádio.

Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/

Arte profissional e amadora

     Na última quarta-feira (1/6) estive no auditório MIS para uma discussão promovida pela Folha de S.Paulo sobre financiamento à cultura. Junto comigo estavam Henilton Menezes, secretário de fomento do Ministério da Cultura, André Sturm, novo presidente do MIS, e o dramaturgo Leo Lama, mediados pela jornalista da Folha Ana Paula Sousa.
Diante de temas tradicionais e previsíveis, como Procultura, Vale-Cultura, infraestrutura, fomento e necessidade de investimento em pesquisa e formação, uma questão inusitada proposta por Leo Lama monopolizou as discussões da sala, trazendo revolta e discussões acaloradas no palco e na plateia.
O que é arte? Como fica a arte quando qualquer pessoa pode se inscrever nos editais, leis de incentivo e demais instrumentos de financiamento à cultura? “Devemos estabelecer critérios para distinguir os artistas profissionais dos amadores”, provocou o dramaturgo.
Para Lama, resta ao artista a submissão a um mercado dominado e corrompido por mediadores, intermediários e agentes alheios aos processos criativos, que consomem cada vez mais os recursos que deveriam estar nas mãos dos artistas.
Qual o limite do profissional e do amador na arte? Como fica a relação entre um bom artista que não consegue viver exclusivamente da arte e um mau artista que consegue pagar suas contas apenas com a atividade criativa, pergunto eu? O critério de distinção seria então, entre o bom e o mau artista? É possível estabelecer critérios claros de qualidade artística diante das novas possibilidades de criação das tecnologias de informação e comunicação? Quem dita esses critérios: o mercado, o Estado, a sociedade?
O mais curioso é que eu tinha acabado de sair de um seminário sobre Economia Criativa, promovido pela Vivo e Fundação Telefônica, onde participei de uma mesa sobre governança. Na parte da manhã, Clay Shirky, autor de “A cultura da participação”, propõe justamente uma reavaliação entre o criador amador e o profissional na relação com a mídia participativa.
A relação deste assunto com as novas forças e concepções que norteiam a política cultural brasileira merecem atenção. Saímos de uma era que considera possível avaliar a Relevância Cultural de um projeto, para um tempo de olhar para quem está criando. Que olhar deve ser este? Como ele pode ser traduzido em mecanismos de financiamento à cultura e à arte? Um bom debate.

Leonardo Brant http://www.brant.com.br
Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/

A Marcha da Liberdade e os Futuros Alternativos

 No filme Minority Report, mutantes geniais,  sensitivos-sensoriais, alucinam o  futuro. Os PreCogs (criação de Philip K. Dick), considerados “idiotas”, “doentes’ e “drogados” pelo sistema, têm o poder  de premonição do futuro, vislumbram cenas, indícios,  fragmentos e sinais de possíveis crimes.

Uma premonição paradoxal que seria totalmente inútil se não existisse a possibilidade de alterar o futuro. Criar realidades alternativas.
Pois uma desses futuros múltiplos começou a se formar com uma inédita articulação entre os movimentos sociais, culturais, coletivos, redes, midialivristas, pontos de cultura, minorias e maiorias em torno da Marcha da Liberdade (#marchadaliberdade 28M) de São Paulo.
Estamos vendo se construir um movimento transversal conectado pelas lutas locais e globais, exigindo liberdade de expressão, cultura livre, combate ao preconceito. São os nossos PreCogs, uma nova “classe” transversal, o Precariado Cognitivo, precários sensitivos que alucinam/criam futuros.
Junta o precariado da cultura, camelôs, removidos, agentes da economia informal, os garotos de classe media diplomados autônomos desempregados, todos que tem que inventar seu próprio trabalho, os eco-ativistas, os militantes pela legalização das drogas, homoafetivos, os pretos, as periferias, os que andam por terreiros&quilombos ou por terras digitais. Todos os que couberem no vão do MASP. Uma espécie de Portal e plano piloto  para startar os movimentos transversais.
É que depois da repressão brutal, a marcha da maconha de São Paulo (nosso 21M) decolou e virou a marcha pela liberdade de expressão, a marcha dos diferenciados, dos insatisfeitos, juntando os indignados sensitivos que prevêem os crimes futuros em marcha, a intolerância e o retrocesso, se não alterarmos radicalmente o rumo dos últimos acontecimentos da MATRIX.
A Marcha da Liberdade é também o “relatório das minorias” (nosso minority report, numa tradução livre), dos que são atacados pela policia, pelos skinheads neo-nazistas (anti marcha e anti-gays), pelos ruralistas, monoteístas, monopolistas, pelos “monos”.
Sem um objetivo único, mas com várias reivindicações e questões amplas, a marcha vai colando no fluxo do desejo de mudança que varre o Acampamento Global e juntando movimentos os mais diversos.
É que a MATRIX, o Brasil hoje, é a mais completa e paradoxal tradução de um conto de Jorge Luis Borges: O Jardim dos Caminhos que Se Bifurcam.
Borges, cego-vidente, aponta os paradoxos do tempo e das realidades  que se acavalam. Os mundos “incompossíveis”, da teoria de Leibniz.
O país em que Dilma ganhou as eleições deveria ser “incompossível” com o Brasil fabulado por Serra, com o Brasil da bancada ruralista derrotando os povos da floresta, da Matrix religiosa derrotando a liberdade de expressão e as opções sexuais.
O governo Dilma (alavancado pela Multidão de singularidades) deveria ser “incompossível” com um Ministério da Cultura fraquejante, longe da potencia dos movimentos e do Brasil-mundo da cultura digital. O Brasil2.0 liberado por Lula-Macunaíma.
Das redes as ruas, das ruas as redes, vislumbram os PreCogs. Quando um futuro intolerante se precipita e parece inexorável é preciso reagir, deter, interceptar, barrar. Precognição  e intervenção para assegurar autonomia e liberdade, criando realidades alternativas. Liberar novos fluxos.
Os múltiplos futuros estão ai, dentro da Matrix. Nossas ficções se tornam História. De maio de 68 a Puerta del Sol, das revoltas árabes e descontentes globais a #marchadaliberdade,  neste exato momento mais de 700 mobilizações em prol da liberdade no mundo, trata-se de uma única linha subterrânea de guerrilhas reais e simbólicas que irrompe e se bifurca, ilimitada.
A  Marcha da Liberdade é a 1a. Marcha Transversal dos PreCogs: Precariado cognitivo, pós-partidos, pós- classe, pós-caretice. Ativismo, anti-preconceito, governança digital, Mídia Livre, Politica2.0, MinCSomoNos, Pontos de Cultura, MobilziaCultura, ForaDoEixo,  Coletivo DAR, Bicicletada, Desentorpecendo…
Cabem todos no vão do MASP, dia 28 de maio, sábado, 14h.

Ivania Bentes
Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/

Sustentabilidade levada a sério

O ano que se inicia deverá contar com o engajamento dos líderes e executivos para que os valores sustentáveis saiam do papel para o dia a dia das organizações.
Por muito tempo estivemos preocupados com ganhos em escala e lucros em detrimento do meio ambiente. Hoje, de modo prepotente, pensamos em “salvar” o planeta Terra. A verdade é que a humanidade é um cisco na história do mundo. A Terra existe há 100 milhões de anos. Eu disse milhões. E a humanidade possui alguns poucos milhares de anos. Ou seja, o planeta não irá acabar, o que pode acabar é a humanidade, extinta por sua própria imprevidência e desequilíbrios causados ao meio ambiente.
Portanto, não é necessário se preocupar com o futuro da Terra, afinal, os dinossauros já passaram por aqui, várias espécies foram extintas e novas formas de vida surgiram e surgirão no futuro. A preocupação deve estar focada no futuro da humanidade e com a herança que pretendemos deixar aos nossos filhos e netos.
Sendo assim, costumo definir sustentabilidade de uma forma direta: sustentável é durável, se possível permanente. E por isso mesmo as táticas de curto prazo que causam prejuízos futuros não podem ser sustentáveis.
A preocupação inicial sobre as práticas agressoras do homem foi em relação ao meio ambiente. Posteriormente, em uma segunda onda, surgiu a preocupação social. E hoje eu apelidaria de sustentabilidade 3.0 a base para um mundo sustentável, alicerçada em premissas de conscientização, educação e ética.
Aguçar a visão
No último 33º Fórum de Líderes, realizado em São Paulo, a preocupação com os conceitos sustentáveis foi apresentada pelos palestrantes para mais de 1.200 líderes reunidos. Um dos questionamentos foi do Dr. Ozires Silva, que abriu sua palestra dizendo aos líderes: “Onde estaríamos hoje se não fosse a Escola?”. Wow! Já parou para pensar nisso? Pois é, toda a nossa capacidade criativa e de inteligência precisam ser direcionadas, estimuladas e incentivadas.

A preocupação com a capacitação desses gestores está sendo amplamente discutida em todas as capitais brasileiras e por diversos especialistas, como Cesar Souza que discorreu suas preocupações com os aspectos sustentáveis em sua palestra no 1º Fórum de Líderes Nordeste, realizado em Recife, e, recentemente, publiquei um artigo em que discorro a falta de líderes, reforçada por uma pesquisa realizada pela HSM em conjunto com a Empreenda.net.

Outro evento recente foi o CEO Fórum 2010, realizado pela AMCHAM em Recife. O tema foi “Gestão Estratégica para a Competitividade” e os palestrantes trataram bastante o tema sustentabilidade, o que nos faz perceber o quão importante é essa temática para as organizações atualmente. Na ocasião, o presidente da Dell Brasil, Raymundo Peixoto, apresentou a caminhada “verde” da empresa para o desenvolvimento de produtos e serviços sustentáveis e ecologicamente corretos.
Entre as iniciativas está a utilização de embalagens feitas de fibra de bambu e o uso mais racional das embalagens, matérias-primas e insumos sustentáveis e, por fim, a importância da inovação para criar produtos mais eficientes e de menor consumo energético.
Também tivemos uma palestra muito legal de André Vercelli, da Kraft Foods Nordeste, que apresentou um case da empresa sobre o apoio à comunidades carentes e o desenvolvimento e capacitação de sua mão-de-obra própria para a instalação da fábrica de Vitória de Santo Antão.
Em todos esses eventos que une os principais líderes, executivos e gestores do país, a educação e capacitação desses brasileiros é o calcanhar de Aquiles para promover conceitos de sustentabilidade em 2011. Não é apenas meio ambiente, o social ou o econômico. O problema da (in) sustentabilidade está na (falta de) educação.
Ética é a palavra de ordem e a conscientização é o único caminho. Um exemplo muito bom é a Lipor, empresa portuguesa que criou um Plano de Educação Ambiental 2009/2011, tendo como objetivo a promoção da educação e sensibilização dos cidadãos para a sua mobilização em relação às iniciativas de proteção ao meio ambiente.
Ou seja, como apresentado por Cesar Souza, colunista da HSM que esteve presente no 33º Fórum de Líderes, o triple bottom line precisa ser entendido para englobar as pessoas. E neste sentido, 2011 é um ano em que precisaremos de lideranças preocupadas com a sustentabilidade, se é que as empresas querem se perpetuar, incluindo ao trinômio ambiental-social-econômico uma visão holística de negócio + sociedade + planeta.
O próprio posicionamento dos negócios é um item essencial de sustentabilidade dentro das organizações e precisa fazer parte do pensamento estratégico e não apenas de um documento em papel realizado uma vez por ano chamado de “plano estratégico”. O pensamento estratégico é um ser e fazer do dia a dia.
Concluímos que o próximo passo da sustentabilidade é conscientizar, educar e liderar o pensamento sustentável e sua implementação. Será que estamos preparados?

Mário Henrique Trentim (Diretor da iPM Consult – Consultoria Inteligente, professor e coordenador dos cursos de MBA da CEDEPE Business School em gerenciamento de projetos e membro voluntário do PMI Pernambuco da Diretoria Adjunta do Chapter)

TERCEIRA VIA PARA O DIREITO AUTORAL

Artistas e Produtores redigiram esta carta aberta em defesa de seus legítimos interesses e convocam todos os setores da cultura para um debate aberto e democrático sobre a reforma da lei de direitos autorais.
O debate sobre a reforma da Lei de Direitos Autorais tem cada vez mais se polarizado entre os que defendem a manutenção do sistema atual e aqueles que querem flexibilizar radicalmente as regras. Posições extremas que levam a um impasse incontornável e perigoso.
Nenhum desses pontos de vista nos parece equilibrado ou consciente dos problemas, desafios e possibilidades gerados pela nova ordem digital. Uma proposta conciliadora deverá preservar fundamentos conquistados durante anos de trabalho da classe autoral e também incluir a nova cultura de acesso e consumo de bens culturais. O futuro não deve aniquilar o passado. O passado não pode evitar a chegada do futuro.
A grande questão a ser respondida, como propôs o diretor geral da OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), Francis Gurry, é: Como a sociedade pode tornar as obras culturais disponíveis para o maior público possível, a preços acessíveis e, ao mesmo tempo, assegurar uma existência econômica digna aos criadores e intérpretes e aos parceiros de negócios que os ajudam a navegar no sistema econômico? Uma resposta adequada virá de “ uma combinação de leis, infraestrutura, mudança cultural, colaboração institucional e melhores modelos de negócio”, ou seja, será fruto de um pacto entre diversos setores da sociedade.
Diante deste cenário, propomos uma Terceira Via para o debate sobre Direitos Autorais que agrega ideias e expande a abordagem. Entre nossas demandas destacam-se:
1. Defesa do Direito Autoral
Entendemos ser fundamental a preservação do direito autoral – inclusive no ambiente digital. É urgente a criação de mecanismos para remuneração do autor na Internet com o estudo de novas possibilidades de arrecadação no meio digital. Nesse sentido, a meta é uma política que, sem criminalizar o usuário, garanta a remuneração dos criadores e seus parceiros de negócios. Defendemos igualmente maior rigor com rádios e TVs inadimplentes.
2. Associações de Titulares de Direitos Autorais democráticas e representativas
As Associações precisam aprimorar seus mecanismos de decisão, envolver todos os autores e titulares em um ambiente democrático para garantir sua legitimidade mediante representação real e efetiva. Através do uso da tecnologia, as Associações devem modernizar a comunicação com autores e titulares, mostrar transparência, simplicidade e eficiência.
3. Aprimoramento Tecnológico e Transparência do ECAD

Defendemos o fortalecimento e a evolução do ECAD através da modernização e informatização total do sistema de gestão coletiva tanto no mundo real quanto digital. É fundamental a simplificação dos critérios de arrecadação e distribuição com transparência total.
4. Criação de um Órgão Autônomo de Regulação do ECAD
Criação de um órgão – cuja composição precisa ser cuidadosamente estudada – que promova a mediação de interesses, a transparência na gestão coletiva, além da fiscalização e regulação do sistema de arrecadação e distribuição de Direitos Autorais no Brasil.
5. Um ente governamental de alto nível dedicado à Música
A Música precisa ser entendida como força econômica importantíssima – inclusive para exportação da imagem e dos valores de nosso país – que, por se encontrar dispersa, requer aglutinação. A criação de uma “Secretaria da Música”, ligada ao Ministério da Cultura, é essencial para que o governo tenha um ponto de contato com o setor em sua totalidade. Este órgão precisa de poder decisório e capacidade de articulação para agir tanto como ponto focal para que o setor se organize ao seu redor quanto ser o interlocutor dentro do próprio governo, pela transversalidade inerente ao campo de atuação da Música.
Diante da relevância do tema para as políticas culturais do país e do mundo, pelo potencial de geração de riquezas, pela sua importância simbólica, cultural, política e social, pedimos que a reforma do sistema de direitos autorais e a criação da Secretaria da Música sejam entendidas como prioridades para o Estado brasileiro.
Colocamo-nos à disposição do Ministério da Cultura para um dialogo aberto e equilibrado. Temos certeza que juntos podemos construir o mais avançado, moderno e transparente sistema de Direitos Autorais do planeta, e aprimorar nossa Música – cultural e economicamente – através de políticas democráticas.

NOTA: Gostaríamos de registrar nosso repudio a todo e qualquer debate ofensivo e desrespeitoso. Apoiamos, acima de tudo, a troca de idéias inteligente e equilibrada.

Transcrito do jornal ‘O Globo’ de 10-03-2011.

Fonte: //infocultura.blog.terra.com.br/

Arte, aspirinas e urubus.

Qual a importância da arte em nossa sociedade? Como responder a essa pergunta quando sequer conseguimos definir o que é arte? Qual a função política da arte? Podemos atribuir um papel a ela? Cidadania, cultura, educação: o que isso tudo tem a ver com arte?


Precisamos deixar de enxergar a arte (e consequentemente, o artista) por sua fragilidade, delicadeza, como algo que precisa ser sustentado pela sociedade. Estamos acostumados a colocar a arte numa redoma, num lugar de proteção, de cuidado. O artista, então, passa a ser visto como alguém descontectado do mundo real, alguém que precisa tratamento especial, precisa ser protegido, celebrado, celebrizado. E, portanto, aprisionado.

A arte sustenta a sociedade, oferece sentido, significado, razão e emoção. Sem ela, não sabemos por que existimos, o que estamos fazendo aqui, para onde vamos, como devemos olhar e se relacionar com o outro, com a natureza.

Subordinada a qualquer instância de poder (de cunho religioso, ideológico, do Estado ou da economia) a arte, tanto quanto a filosofia e a ciência (não seriam formas de arte?), tornam-se poderosos instrumentos de manipulação. Uma arte moral, a serviço de determinada visão de mundo, desconectada de uma ética mais profunda, universal.

Precisamos (e podemos) redimensionar o tempo e o lugar da arte nas sociedades contemporâneas (videocráticas, do consumo, do espetáculo). A política, o mercado (se é pelo capitalismo, usemos suas armas), o processo de formação (cultural e educacional) são nossos meios de construção de uma nova ética que catapulte a arte e o artista a outro patamar. Mas estão cada vez mais consumidos por grupos de interesses (econômicos, partidários, ideológicos).

Uma arte livre e democrática não tem a ver apenas com a liberdade de criação dos artistas e com a manutenção de espaços de expressão dessa liberdade. Tem a ver, sobretudo, com o estímulo e o desenvolvimento da capacidade artística do cidadadão, com a conquista de sua autonomia e independência, permitindo-o escolher e definir seus próprios referenciais estéticos, éticos e identitários, frente à enxurrada de informações e mensagens subliminares, presentes em todos os tipos de arte, do cinema à publicidade, passando pelas paisagens urbanas e pelos ritos e ritmos da vida cotidiana, que nos permite viver sem pensar, sem sentir, sem olhar.

Precisamos formar artistas. Não artistas de profissão (isso é escolha de cada um). Precisamos criar cidadãos capazes de ler, de compreender o sentido mais profundo da vida, de encontrar este sentido nas atitudes mais simples. De viver e conviver com ética e verdade.

Leonardo Brant

Fonte: Infocultura.blog.terra.com.br

Beleza da Imperfeição

Para muitos tentar registrar a verdade em um filme já é em si um ato de ficção. Afinal, o autor escolherá um determinado ângulo para mostrar a realidade e na edição vai excluir cenas ou momentos que por alguma razão pessoal considera irrelevantes. De qualquer modo não se pode negar que o documentário é um instrumento eficaz para se investigar a realidade.
Nesse caso, pode o documentário ser considerado como uma fonte de pesquisa e ensino da história? Segundo Umbelino Brasil sim, afinal ele pode significar para realizadores, estudiosos e espectadores uma prova da “verdade”, uma vez que trabalha diretamente com imagens extraídas da vida real. “É comum se imaginar o filme documentário como a expressão legítima do real ou se crer que ele está mais próximo da verdade do que os filmes de ficção”.

Verdade ou ficção induzida, registro histórico ou recorte da realidade com fins estéticos, o documentário tem sido produzido intensamente nos últimos anos no Espírito Santo com resultados por vezes surpreendentes.

Um grande exemplo seria a Mostra Capixaba de Audiovisual abrangendo 40 municípios do Espírito Santo e três temas – Ambiental, Rural e Etnográfica – que tem estimulado a produção de documentários como forma de reflexão sobre a vida e de exercício pleno de uma linguagem quase onipresente no cotidiano de todos. Buscar entender o seu ambiente através de imagens torna-se assim uma maneira eficaz de levar o jovem a participar ativamente da construção de imaginários culturais fundamentados em sua própria existência.

A mostra mais recente teve lugar na cidade de Pancas, envolvendo 13 municípios da região, e levou o público a se confrontar com situações e figuras humanas que se, de um lado quase passam despercebidas, de outro, evidenciam a importância das respectivas experiências individuais na formação de cada comunidade, e o significado social de seus depoimentos. É como um espelho que reflete cada habitante do lugar naquilo que possuem de único e, ao mesmo tempo, de universal.

Ao longo dos últimos sete anos as mostras totalizam mais de oitenta documentários produzidos, que abordam vários aspectos de nossa formação cultural. Um rico painel de pontos de vista diversos acerca de peculiaridades regionais, fatos e trajetórias pessoais que compõem o cotidiano de inúmeros habitantes. Nesse sentido podemos dizer que dispomos de uma ampla fonte de pesquisa antropológica, histórica e artística acerca dos modos de vida de nosso Estado.

O reconhecido documentarista Eduardo Coutinho afirmou certa vez que o documentário “não tem que informar, educar, não é jornalismo; ele mostra maneiras de se ver o mundo”. Em recente entrevista ressaltou: “O que me interessa é aquilo que não sou eu, ou aquilo que não sei”. Ao se encontrar com seus personagens anônimos – pessoas a serem entrevistadas “o interesse está no que resulta precário, incompleto, parcial, que não diz tudo porque não pode dizer tudo. É a busca pelo belo que se revela na imperfeição humana”.

Talvez este seja de fato um caminho de uma possível interpretação artística do documentário: captar a beleza da imperfeição que se manifesta na vida das pessoas e nas situações comuns, na singularidade do que nos distingue e nos identifica, e nos faz seres representativos de nossa espécie.

Erlon José Paschoal

Fonte:

ttp://infocultura.blog.terra.com.br/

Lei Rouanet bate record

   Depois de uma série decrescente, iniciada em 2008, os números do Mecenato (mecanismo de incentivo fiscal presente na Lei Rouanet) apontam crescimento e superam o maior resultado já obtido pelo maior instrumento de financiamento à cultura, alvo de críticas e embates no setor cultural.
   O aumento foi de 22,8%, chegando a R$ 1.270.800.432,14, contra R$ 1.034.707.577,12 em 2009. Em 2008 o montante chegou a R$ 1.200.748.286,34. O volume de projetos apresentados ao MinC também sofreu elevação, chegando ao recorde histórico de 12.825 projetos, dos quais 56% foram aprovados e apenas 25% receberam captação de recursos.

Lei Rouanet bate recorde em 2010

sábado, 4 de junho de 2011

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Empreendedores Criativos

 As tecnologias da informação e de comunicação apresentam uma nova perspectiva para uma disputa centenária entre autor e indústria cultural. O criador é mais dono de sua obra, pois consegue controlar todo o processo de produção cultural, da ideia ao “produto”.



   Sites de busca, redes sociais, blogs, microblogs e empresas de telefonia valem-se do fluxo de informação gerado por seus usuários, que produzem, copiam, colam e compartilham conteúdos de forma colaborativa, para gerar negócios baseados na diluição gradual do processo autoral.
A tendência histórica é de que haja fusão entre a indústria cultural analógica e a digital, como já vem acontecendo a passos largos. A aquisição do Myspace pela Fox e o recente acordo entre Google e Warner são exemplos disso: navalha que corta para os dois lados. Um tenta garantir ganhos galopantes de produtos licenciados sob seu comando, enquanto o outro continuará financiando e estimulando discussões sobre a relevância da livre circulação do conhecimento. O artista faz circular a sua obra, mas continua sem acesso à camada lucrativa do mercado, pois, nos meios digitais, seu valor econômico é reduzido a pó.
A conveniência e a facilidade dos licenciamentos livres e gratuitos permitem o benefício da adesão ideológica a um novo socialismo das redes, facilmente percebido pelo público adepto da cultura remix. Mas o impede de tornar a atividade cultural comercialmente sustentável, produzindo uma das economias mais interessantes para o país. Abrir mão dos direitos patrimoniais significa financiar essa nova indústria, tão rica e concentradora quanto a anterior.
Essa consciência é mercadológica e cidadã, pois define o lugar da arte e do artista na sociedade. Não por menos, o direito autoral figura como um direito fundamental, garantido na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Nesse cenário de convergência, surge uma indústria cultural brasileira, conduzida por artistas-empresários, como Vik Muniz, Gilberto Gil, Paulo Coelho, Fernando Meirelles e José Padilha, que desbancou as distribuidoras internacionais e bateu o recorde histórico de audiência para o cinema nacional com “Tropa de Elite 2″. A indústria ainda é um bom lugar para oferecer acesso à cultura nacional.
O Brasil precisa reconhecer, incentivar e qualificar os seus empreendedores criativos. A boa gestão dos conteúdos, nas mais diversas plataformas, aumenta as possibilidades de participação e construção de um novo mercado cultural, que está aberto e se mostra cada vez mais estratégico para alcançarmos o tão sonhado desenvolvimento sustentável.

Leonardo Brant