terça-feira, 7 de junho de 2011

Arte profissional e amadora

     Na última quarta-feira (1/6) estive no auditório MIS para uma discussão promovida pela Folha de S.Paulo sobre financiamento à cultura. Junto comigo estavam Henilton Menezes, secretário de fomento do Ministério da Cultura, André Sturm, novo presidente do MIS, e o dramaturgo Leo Lama, mediados pela jornalista da Folha Ana Paula Sousa.
Diante de temas tradicionais e previsíveis, como Procultura, Vale-Cultura, infraestrutura, fomento e necessidade de investimento em pesquisa e formação, uma questão inusitada proposta por Leo Lama monopolizou as discussões da sala, trazendo revolta e discussões acaloradas no palco e na plateia.
O que é arte? Como fica a arte quando qualquer pessoa pode se inscrever nos editais, leis de incentivo e demais instrumentos de financiamento à cultura? “Devemos estabelecer critérios para distinguir os artistas profissionais dos amadores”, provocou o dramaturgo.
Para Lama, resta ao artista a submissão a um mercado dominado e corrompido por mediadores, intermediários e agentes alheios aos processos criativos, que consomem cada vez mais os recursos que deveriam estar nas mãos dos artistas.
Qual o limite do profissional e do amador na arte? Como fica a relação entre um bom artista que não consegue viver exclusivamente da arte e um mau artista que consegue pagar suas contas apenas com a atividade criativa, pergunto eu? O critério de distinção seria então, entre o bom e o mau artista? É possível estabelecer critérios claros de qualidade artística diante das novas possibilidades de criação das tecnologias de informação e comunicação? Quem dita esses critérios: o mercado, o Estado, a sociedade?
O mais curioso é que eu tinha acabado de sair de um seminário sobre Economia Criativa, promovido pela Vivo e Fundação Telefônica, onde participei de uma mesa sobre governança. Na parte da manhã, Clay Shirky, autor de “A cultura da participação”, propõe justamente uma reavaliação entre o criador amador e o profissional na relação com a mídia participativa.
A relação deste assunto com as novas forças e concepções que norteiam a política cultural brasileira merecem atenção. Saímos de uma era que considera possível avaliar a Relevância Cultural de um projeto, para um tempo de olhar para quem está criando. Que olhar deve ser este? Como ele pode ser traduzido em mecanismos de financiamento à cultura e à arte? Um bom debate.

Leonardo Brant http://www.brant.com.br
Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/

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