terça-feira, 7 de junho de 2011

A Marcha da Liberdade e os Futuros Alternativos

 No filme Minority Report, mutantes geniais,  sensitivos-sensoriais, alucinam o  futuro. Os PreCogs (criação de Philip K. Dick), considerados “idiotas”, “doentes’ e “drogados” pelo sistema, têm o poder  de premonição do futuro, vislumbram cenas, indícios,  fragmentos e sinais de possíveis crimes.

Uma premonição paradoxal que seria totalmente inútil se não existisse a possibilidade de alterar o futuro. Criar realidades alternativas.
Pois uma desses futuros múltiplos começou a se formar com uma inédita articulação entre os movimentos sociais, culturais, coletivos, redes, midialivristas, pontos de cultura, minorias e maiorias em torno da Marcha da Liberdade (#marchadaliberdade 28M) de São Paulo.
Estamos vendo se construir um movimento transversal conectado pelas lutas locais e globais, exigindo liberdade de expressão, cultura livre, combate ao preconceito. São os nossos PreCogs, uma nova “classe” transversal, o Precariado Cognitivo, precários sensitivos que alucinam/criam futuros.
Junta o precariado da cultura, camelôs, removidos, agentes da economia informal, os garotos de classe media diplomados autônomos desempregados, todos que tem que inventar seu próprio trabalho, os eco-ativistas, os militantes pela legalização das drogas, homoafetivos, os pretos, as periferias, os que andam por terreiros&quilombos ou por terras digitais. Todos os que couberem no vão do MASP. Uma espécie de Portal e plano piloto  para startar os movimentos transversais.
É que depois da repressão brutal, a marcha da maconha de São Paulo (nosso 21M) decolou e virou a marcha pela liberdade de expressão, a marcha dos diferenciados, dos insatisfeitos, juntando os indignados sensitivos que prevêem os crimes futuros em marcha, a intolerância e o retrocesso, se não alterarmos radicalmente o rumo dos últimos acontecimentos da MATRIX.
A Marcha da Liberdade é também o “relatório das minorias” (nosso minority report, numa tradução livre), dos que são atacados pela policia, pelos skinheads neo-nazistas (anti marcha e anti-gays), pelos ruralistas, monoteístas, monopolistas, pelos “monos”.
Sem um objetivo único, mas com várias reivindicações e questões amplas, a marcha vai colando no fluxo do desejo de mudança que varre o Acampamento Global e juntando movimentos os mais diversos.
É que a MATRIX, o Brasil hoje, é a mais completa e paradoxal tradução de um conto de Jorge Luis Borges: O Jardim dos Caminhos que Se Bifurcam.
Borges, cego-vidente, aponta os paradoxos do tempo e das realidades  que se acavalam. Os mundos “incompossíveis”, da teoria de Leibniz.
O país em que Dilma ganhou as eleições deveria ser “incompossível” com o Brasil fabulado por Serra, com o Brasil da bancada ruralista derrotando os povos da floresta, da Matrix religiosa derrotando a liberdade de expressão e as opções sexuais.
O governo Dilma (alavancado pela Multidão de singularidades) deveria ser “incompossível” com um Ministério da Cultura fraquejante, longe da potencia dos movimentos e do Brasil-mundo da cultura digital. O Brasil2.0 liberado por Lula-Macunaíma.
Das redes as ruas, das ruas as redes, vislumbram os PreCogs. Quando um futuro intolerante se precipita e parece inexorável é preciso reagir, deter, interceptar, barrar. Precognição  e intervenção para assegurar autonomia e liberdade, criando realidades alternativas. Liberar novos fluxos.
Os múltiplos futuros estão ai, dentro da Matrix. Nossas ficções se tornam História. De maio de 68 a Puerta del Sol, das revoltas árabes e descontentes globais a #marchadaliberdade,  neste exato momento mais de 700 mobilizações em prol da liberdade no mundo, trata-se de uma única linha subterrânea de guerrilhas reais e simbólicas que irrompe e se bifurca, ilimitada.
A  Marcha da Liberdade é a 1a. Marcha Transversal dos PreCogs: Precariado cognitivo, pós-partidos, pós- classe, pós-caretice. Ativismo, anti-preconceito, governança digital, Mídia Livre, Politica2.0, MinCSomoNos, Pontos de Cultura, MobilziaCultura, ForaDoEixo,  Coletivo DAR, Bicicletada, Desentorpecendo…
Cabem todos no vão do MASP, dia 28 de maio, sábado, 14h.

Ivania Bentes
Fonte: http://www.culturaemercado.com.br/

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